O que torna a experiência de um produto digital memorável?

Set 2026 · 5 min de leitura

Entrevistamos gerentes e designers de produto da Espresso Labs para entender o que torna uma experiência digital realmente marcante, que compartilharam suas perspectivas sobre os desafios de criar produtos digitais e sobre o que faz uma experiência se destacar para quem a utiliza.

Duas pessoas conversando em uma cafeteria enquanto uma delas mostra algo no celular, sobre uma mesa com bebidas.

Produtos digitais fazem parte da rotina das pessoas e estão presentes em cada vez mais atividades do dia a dia. Com isso, criar algo que simplesmente funcione já não é suficiente: os produtos precisam responder a problemas reais e fazer sentido para as pessoas que os utilizam.

Para quem trabalha com produto, sejam gerentes, designers ou desenvolvedores, isso envolve tomar decisões constantemente, equilibrando diferentes necessidades, objetivos e limitações ao longo da construção de um produto. Mas o que, afinal, faz uma experiência ser percebida como realmente boa a ponto de ser lembrada?

Para explorar essas questões, conversamos com profissionais de produto da Espresso Labs e reunimos diferentes perspectivas sobre o assunto.

“Quando você pensa em uma experiência digital realmente boa, o que vem primeiro à sua cabeça?”

Usabilidade, simplicidade e fluidez aparecem como pontos centrais nas respostas. Para os entrevistados, uma boa experiência é aquela em que o usuário consegue realizar o que precisa de maneira rápida, intuitiva e sem fricção. A facilidade de uso não significa necessariamente ausência de complexidade no produto, mas a capacidade de tornar essa complexidade menos perceptível para quem está utilizando.

Também aparece a ideia de que uma boa experiência deve permitir que o usuário avance naturalmente em direção ao seu objetivo, sem precisar descobrir sozinho como utilizar o produto. Em diferentes perspectivas, a sensação de facilidade é justamente um dos sinais de que houve um trabalho cuidadoso por trás da construção.

“O que faz você perceber, logo nos primeiros minutos, que um produto digital foi bem pensado?”

A percepção de um produto bem pensado está muito relacionada à forma como sua jornada foi construída. Conseguir realizar uma tarefa sem precisar pensar demais, encontrar um fluxo natural e perceber que as necessidades e objetivos do usuário foram considerados são sinais importantes para os entrevistados.

Ao mesmo tempo, aspectos mais visíveis também contribuem para essa percepção. Comunicação, identidade visual, consistência e microinterações demonstram cuidado com a experiência. Como resumiu uma das respostas, quanto mais simples e objetivo parece um produto, maior pode ser o trabalho necessário para chegar àquela simplicidade.

“O que faz uma experiência deixar de ser apenas ‘boa’ e se tornar memorável para quem a utiliza?”

Para os entrevistados, uma experiência pode se tornar marcante quando vai além de simplesmente permitir que uma tarefa seja concluída. Resolver algo trabalhoso de maneira ágil, reduzir esforços desnecessários e transmitir segurança são fatores que podem gerar a sensação de que o produto realmente foi pensado para quem está utilizando.

A relação construída pela marca também aparece nesse ponto. Microanimações, pequenas interações, mascotes, branding, consistência visual e de tom de voz e uma comunicação que acompanha o usuário ao longo da jornada podem transformar a percepção sobre o produto. O cuidado não termina necessariamente na utilização: comunicação pós-compra e atenção ao contexto do cliente também fazem parte dessa experiência.

“O que você considera mais difícil de acertar ao criar um produto digital para pessoas reais?”

Um dos principais desafios apontados é lidar com a imprevisibilidade de quem utiliza o produto. As pessoas podem encontrar maneiras de usar uma solução que nunca foram imaginadas durante sua construção, tornando difícil antecipar todos os cenários e necessidades possíveis.

Outro desafio está em garantir que as decisões sejam orientadas pelas necessidades reais dos usuários. Em alguns projetos, por exemplo, quem aprova as decisões pode não ser necessariamente quem utiliza o produto. Também é preciso encontrar o equilíbrio entre tecnologia e interação humana, considerando quando comunicar, qual tom utilizar e em que momento o contato humano ainda é necessário.

“Para você, como seria uma experiência digital ideal?”

As respostas convergem para uma experiência simples, intuitiva, rápida e fluida, mas acrescentam uma dimensão importante: a capacidade de entender o contexto do usuário. Um produto ideal não deveria apenas responder ao que a pessoa está fazendo naquele momento, mas compreender suas necessidades e, quando possível, antecipar aquilo que ela ainda pode precisar.

Também aparece a ideia de confiança. Em meio a uma rotina cada vez mais dependente de aplicativos, sistemas, notificações e informações, uma experiência ideal seria aquela que reduz a ansiedade em vez de aumentá-la. Um produto simples, funcional, confiável e capaz de reconhecer quando uma pessoa precisa de ajuda humana pode se tornar, nesse contexto, uma experiência especialmente valiosa.

No fim, o que torna uma experiência memorável?

As respostas mostram que não existe uma fórmula única, mas existe um ponto em comum: uma boa experiência começa quando o produto entende as pessoas e facilita aquilo que elas precisam fazer. Simplicidade, fluidez, confiança e atenção ao contexto se somam às decisões de design, à comunicação e à forma como o produto se relaciona com o usuário. No fim, uma experiência se torna memorável quando deixa de ser apenas uma ferramenta para cumprir uma tarefa e passa a transmitir a sensação de que aquela solução foi realmente pensada para quem está do outro lado.

Contribuíram para este artigo os gerentes de produto Thiago Yoshimura e Augusto Gaioli e os designers Pamela Bonan e Luis Gustavo de Barros.

Uma experiência memorável começa pelas pessoas

Produtos digitais pensados a partir das necessidades reais de quem vai usá-los.